Existem duas experiências a respeito de praia para quem usa aparelhos auditivos: com som ou sem som. Sempre que chego na praia me pego morta de medo da maresia e do que ela é capaz de fazer com meus AASI. Nos primeiros dias fico naquele stadenervos querendo ir pra beira da praia com eles e pensando com meus botões: “Nem a pau, Juvenal!”. Só que depois o medo passa. A saudade de ouvir o som do mar e das ondas quebrando fala muito mais alto. Sabe qual é a sensação que tenho ao chegar na praia de AASI após alguns dias relutando em usá-los? Como se eu estivesse presa numa terceira dimensão sem saber. É muito estranho. Toda aquela paisagem maravilhosa ao meu redor e som nenhum para acompanhar o momento. Solitário, solitário. Não rola. Enquanto eu puder ouvir usando aparelhos auditivos, é isso que vou fazer. Existe algo mais relaxante que o som do mar? Se existe, desconheço. Parece um milagre ligar os ‘bichinhos’ e de repente me deparar com uma paisagem que faz sentido: ondas quebrando, pássaros cantando, crianças berrando, ambulantes tentando vender seu peixe. Confesso que aperta o coração. Parece que meu cérebro fica me levando de volta pros tempos em que eu ouvia tudo isso com a minha própria audição.
Com piscina, é a mesma coisa. Eu sou do tipo neurótica e fico checando se estou de AASI ou não – nessas horas bem queria ser compatível com um à prova d´água! Imagina que desastre dar um biquinho na piscina e, ao colocar o rosto pra fora da água, se dar por conta que assassinou seus aparelhos? Me arrepio só de pensar. Ficar na piscina tomando banho de sol sem som algum também é solitário demais. Ficar olhando para aquele céu azul lindo e tendo que imaginar coisas para arejar a cabeça na falta de uma música de fundo… Nesses momentos é que faz um sentido danado para mim o fato de que só quem pode achar a audição algo ‘supérfluo’, que não faz falta, é quem jamais se deliciou com essa dádiva que é ouvir. Quem ouve pouco se importa, nem dá valor. Só que quando você é uma pessoa que foi perdendo a sua capacidade de ouvir ao longo da vida, falar sobre o sentido audição é emocionante. Estar num lugar como praia ou piscina, sem som algum acompanhando, nossa…
Pareei meus Pure Carat com o Mini Tek e passei longas tardes ao sol ouvindo jazz, mais especificamente, Diana Krall. E foi muito bacana notar que esses aparelhos ‘matam’ aquele barulho chaaaato do vento entrando na cavidade auditiva – escuto só um ventinho delicioso e que não incomoda nada, nada.