Como comentei no post anterior, minha simbiose com o aparelho auditivo nessa Eurotrip foi tão forte que, às vezes, nem me dava por conta e ia me deitar ainda usando-os. Fomos num trio viajar (eu, minha avó e um grande amigo meu) e a primeira sinfonia de roncos a gente nunca esquece. Nunca dormi de aparelhos auditivos, obviamente por causa da microfonia e porque machuca ficar com a cabeça por cima deles – quem é que vai dormir e acordar exatamente na mesma posição, hein?? Pois bem, uma bela noite, os dois dormiram enquanto eu estava no computador. Passou um tempinho e comecei a ouvir barulhos estranhos no quarto. Em cerca de três minutos, comecei a me perguntar:
– É uma britadeira?
– É um terremoto?
– É a patente explodindo?
– É uma alma penada?
Não, não. Peraí. Olha esses dois de boca aberta respirando. Hummmmm. Meu Deus! São eles!!!! Confesso que jamais me passou pela cabeça que dois seres humanos pudessem produzir barulhos tão intensos e loucos enquanto dormiam. Fiquei uns quinze minutos observando estarrecida e dando risada da minha mais nova descoberta sonora: roncos. Como alguém que dorme num silêncio angelical profundo e maravilhoso (aprendi a dar valor!!!), roncos pra mim estavam naquela categoria das bruxas: “yo no creo en brujas, pero las hay, las hay!”. Eu não acreditava em roncos, já que ouvi alguém roncar raríssimas vezes, mas que eles existem, existem! Meldelsss!
No início, até que foi divertido ouvir aquela sinfonia de barulhos esquizofrênicos sem sentido. Um roncava agudo, outro roncava grave. Um roncava alto, o outro roncava médio. Um roncava profundo, o outro roncava curto. Até que comecei a sentir vontade de sufocar os dois com o travesseiro. Colocar uma maçã na boca de cada um. Colocar um prendedor em cada nariz! Para alguém que não é acostumada com isso, roncos podem ser enlouquecedores.
É engraçado como o cérebro de uma pessoa com deficiência auditiva funciona. Ao mesmo tempo em que anseia loucamente por som, por entender o que escuta, por desvendar palavras através da leitura labial, qualquer barulho novo, se for repetitivo, se torna incômodo e irritante.
Para terminar, como não levei meu despertador vibratório pois morro de medo que impliquem com ele nos aeroportos – vai que acham parecido com uma bomba-relógio, porque parece mesmo – e o confisquem, houve uma noite em que decidi colocar meu celular para despertar só para fazer aquele teste básico: será que consigo acordar sozinha amanhã? Lógico que fiquei de aparelhos auditivos, fazendo uma tentativa de dormir com eles.
Até estava dando certo, quando minha avó começou a roncar. O ronco nem era tão alto, mas senhorrrr! Que desespero. Tirei o aparelho esquerdo, pois era a orelha que estava mais perto dela, para amenizar. Não adiantou! Meia hora depois eu já estava num grau de irritação Hulk ficando verde, e aí não aguentei e tirei o direito também. Aaaaargh!!!
Daqui pra frente quero continuar ignorante em relação a roncos. Não quero ouvi-los, não quero saber da sua existência na face da Terra. Já aprendi a lição (que sempre pratiquei sem saber o quanto era útil): na presença de um ser humano em sono profundo ao meu lado, aparelhos auditivos desligados! Forever! O próximo que roncar perto de mim, morre! Rsrsrsrsrsrs! 🙂
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