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Levo cada susto ouvindo! Ontem, ao voltar do Rio de Janeiro, fui ao banheiro no aeroporto de Porto Alegre. Estava bem desavisada e morta de sono quando, de repente, o alto falante diz: “Atenção senhora Paula, dirija-se ao guichê da TAM“. Na hora foi como se tivessem me dado um cutucão bem forte, e então prestei bem atenção na chamada de novo e aí me liguei que não era meu sobrenome e eu nem tinha voado TAM.
No vôo, um bebezinho chorava copiosamente – som irritante, irritante, irritante. Mas não me passou pela cabeça nem por um segundo tirar o Implante Coclear e voltar para o silêncio por causa disso. Tenho feito um bom esforço para tolerar esses sons chatos do dia-a-dia de alguém que ouve normalmente. Não é tão difícil quanto parecia no começo.
Ainda prefiro estar em ambientes calmos, quietos e tranquilos, sem barulheira nonsense, sem muita gente falando ao mesmo tempo, sem berros e gritos. Pena que a vida real não me presenteie com isso tanto quanto eu gostaria.
A tranquilidade de viajar e voar ouvindo não tem preço. Entendo 90% do que pilotos e comissárias de bordo dizem no avião, e quando penso nisso recordo a angústia inominável que eu sentia quando não entendia uma palavra do que eles diziam e quando minha companhia num vôo era o tremor da turbina. Foi engraçado estar sentada no Galeão, com uma barulheira matadora ao redor, e atender o celular e conseguir falar e entender o que o Luciano dizia.
Nesses momentos percebo a estranheza que é voltar a poder fazer coisas tão corriqueiras que durante muiiitos anos sequer fizeram parte da minha vida – e sequer achei que um celular um dia teria essa serventia para mim de novo. Mesmo após cinco meses de IC ativado, ainda estou no – longo – caminho de voltar a me sentir normal e voltar a me sentir capaz de fazer certas coisas. Sigo dizendo que a parte mais difícil do implante coclear é a bagunça completa que ele faz com o nosso emocional. Tsunami define.
Por último, o motivo da imagem desse post é porque é assim que me sinto: posso me apaixonar pelo som das palavras. Ouvir me faz sentir um prazer muito grande que gostaria de ser capaz de expressar com as palavras corretas. Mas é muito difícil. Toda vez que ouço e entendo algo de costas, sem olhar para a pessoa, sem olhar para a TV, me sinto TÃO viva. Impossível não se apaixonar pela pronúncia das palavras em inglês, francês, espanhol. Cada mísera palavra tem uma boniteza sem precedentes. E isso supera e enterra todos os sons chatos do mundo.