Deficiência Auditiva Relatos de Pessoas com Deficiência Auditiva

Manu e a Síndrome de Deleção 18q

Meu nome é Manuela, tenho 1 ano e 5 meses. Fui muito desejada e planejada por minha Mamãe Fabiane e meu Papai Paulo. A gravidez transcorreu de maneira tranquila e normal.  Nasci de 38 semanas no dia 25/09/2015. Por sentir fortes contrações e não ter dilatação mamãe optou pela cesárea. O parto também foi tranquilo.

Porém, ao se dirigir pro quarto com eu em seus braços, mamãe recebeu a primeira notícia: eu havia nascido com pé torto congênito bilateral. Mamãe ficou tranquila, pois ela também havia nascido e foi solucionado sem interferências médicas. O pediatra me encaminharia para o ortopedista e tudo seria resolvido.

Porém nossa luta nessa parte foi (e ainda é) grande. Usei 8 gessos (trocas semanais), fiz uma cirurgia de alongamento de tendão, mais 25 dias de gesso e uma órtese chamada Denis Brown, que eu usei por 4 meses durante 24 horas (tirava somente para banho e fisioterapia) e agora uso por 12 horas, período noturno, até os 4 anos de idade.

Pois bem… a luta não parou aí. No segundo dia de vida, ainda no hospital, fizeram em mim o teste da orelhinha e deu negativo. Também nada fora do normal. É comum dar na maioria dos bebês, devido à sujeirinhas decorrentes do parto. Repetimos o exame mais 3 vezes, sempre com intervalo de 15 dias, e todos deram negativos. Mamãe, pessoa de muita fé, sabia que não seria nada grave.

Com 10 dias de vida, na primeira consulta ao pediatra, esse disse que eu tinha os olhinhos um pouco afastados. Ao pesquisar mamãe verificou que não era um sinal muito positivo, que eu poderia ter uma síndrome. Num exame realizado com neuropediatra, deu tudo normal, trazendo um grande alivio pra família.

Com 4 meses fui encaminhada para otorrinolaringologista e realizei o exame Bera. O temido veio à tona. Eu nasci com perda auditiva bilateral severa. Foi um dos momentos mais difíceis. Mamãe e papai choraram muito. Mamãe pensava a toda hora onde tinha errado, se culpava e se perguntava o porquê… já bastava a luta com os meus pezinhos!

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Depois de muito chorar, sabia que eu precisava dela. Então se reergueu e foi à luta novamente. Começamos as investigações. Exames de sangue e tomografia, onde identificou atresia no conduto (o canalzinho por onde passa o som é fechado). Em busca de soluções, consultamos com vários especialistas (inclusive em outras cidades), fizemos testes com 2 aparelhos de condução vibratória.

Desde os 8 meses utilizo um aparelho chamado Contact Mini. Tenho reagido muito bem aos sons. Atendo quando me chamam. Danço ao ouvir musiquinhas. Admiro-me com um som diferente.

Entretanto, a ortopedista que cuidava de mim, nos alertou a investigar a parte genética. Além do pé torto congênito, a surdez severa e os olhos afastados, apareceram estenose pulmonar leve (sopro), hérnia umbilical e atraso no meu desenvolvimento.

Em consulta com um geneticista e depois de aguardar 7 meses pelo resultado do exame, quando eu já estava com 1 ano descobrimos que tudo o que eu tinha era causado pela Síndrome de Deleção 18q, uma alteração no cromossomo 18, um “acidente genético”. Essa notícia foi mais tranquila de se receber. Mamãe e papai já estavam preparados e sabiam que com muita determinação e estimulação eu iria me desenvolver. Tudo no meu tempo, mas vou. 🙂

Nossa rotina é em torno de fisioterapia, fono, hidro, consultas, exames, estimulações. Ainda não ando, não engatinho e não falo. Comecei agora a rolar e soltar alguns fonemas como “nenê” e “nana”.

Mamãe não se deixa abater… tudo o que é necessário  para o meu desenvolvimento e para que eu possa ter uma vida mais próximo do normal ela faz, sempre com o apoio e grande ajuda do meu papai e da minha Vovó Elizete (que sempre está conosco desde o começo, nos ajudando e nos estendendo a mão).

Mamãe, inspirada nas ideias de outras famílias que vivem situações parecidas, colocou em minha bonequinha um aparelhinho e uma órtese, e também mandou fazer um aparelho de mentirinha pra ela. Tudo isso pra mostrar que na verdade todos somos iguais, a diferença está nos olhos de quem vê. Eu ainda não entendo muito, mas quando isso acontecer, essas coisas com certeza servirão para que eu saiba o quão forte e guerreira sempre fui, e principalmente pra que eu nunca tenha vergonha desses meus “acessórios” (que por sinal só realçam a minha beleza… rsrs).. aliás, eles são essenciais para o meu desenvolvimento.

Tenho minhas limitações, mas nunca deixaram de acreditar na minha capacidade. Cada gesto diferente é comemorado. O que tem sido essencial para eu enfrentar todo e qualquer obstáculo. Mamãe sempre fala que sou um presente de Deus, um anjo escolhido a dedo para alegrar e ensinar a todos que comigo convivem.

Tenho uma página no Facebook, chamada Preciosa Manu. Lá, mamãe compartilha um pouquinho da nossa rotina. Foi também através dela, que encontramos famílias com histórias e diagnósticos parecidos com o nosso, o que também tem sido muito legal.

A cada um de vocês que pararam pra ler um pouquinho da minha história e a cada um que já torce e acompanha a minha vida um monte de beijinhos preciosos! Fiquem em paz e independente do seu problema, nunca deixe de acreditar!’

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