Já estou em casa, em Santa Maria. Mas quero relembrar meus últimos dias em Porto Alegre porque foram bem emocionantes. Não paro de receber emails e mensagens perguntando como estou e a resposta é uma só: vou vivendo um dia de cada vez. Em alguns dias, me sinto ótima. Em outros, péssima. E cada vez mais tenho a sensação de que a pessoa precisa estar muito bem da cabeça antes de decidir passar por toda essa jornada, porque ela mexe demais com o nosso emocional. Eu, que me considerava uma pessoa monstruosamente forte, me pego em frangalhos às vezes. Nem sei explicar o motivo. A sensação é de que todas as coisas que evitei sentir ao longo da vida estão rompendo a represa que eu mesma criei e transbordando. É um pouquinho assustador!!! Ainda nem fiz uma imagem mental de como será a minha ativação, mas estou ansiosa por ela pois todos me dizem que a tendência é que, após ativar, o zumbido diminua muito – em alguns casos, até desaparece. O segredo do sucesso é focar em todas as coisas maravilhosas que o IC trará para a minha vida. Acho até que tenho coragem de passar por tudo de novo depois e operar o ouvido esquerdo. A parte ruim pra mim foi a tontura nos primeiros 12 dias e o zumbido – eu já era acostumada com ele, tenho 24hs por dia desde criança, mas me incomodei muito com a mudança que ele teve; em alguns dias parece uma serra elétrica, em outros, parece que tem um corno soprando uma vuvuzela bem no meu ouvido. Dá pra aguentar!! Cada caso de IC é um caso, tem gente que nem tontura teve, nem zumbido teve…só operando pra saber o que acontece!
Minha mãe foi ao Simpósio Internacional em Implantes Cocleares – não pude ir por recomendação médica. Ela voltou de lá maravilhada, mas tenho uma reclamaçãozinha pra fazer: tinha intérprete de Libras mas não tinha telão com legendas e estenotipista fazendo a legendagem. Se tivesse ido, teria ficado bem triste por não entender nada. O auditório estava lotado na manhã do dia 10/10, pois pais de implantados e candidatos a IC foram para a palestra da fonoaudióloga mexicana Lilian Flores. Ah, na foto acima, Dr.Luiz Lavinsky com o filho Dr.Joel Lavinsky – ele está se especializando em implante coclear no exterior e veio especialmente para dar uma palestra no simpósio. É a família Lavinsky garantindo a nossa qualidade de vida no futuro! 🙂
Na foto de cima, a fonoaudióloga Adriana – é ela que fará a ativação do meu implante coclear no dia 11/11!! Na foto debaixo, a mexicana Lilian Flores. Minha mãe amou as duas e eu já fiquei imaginando uma viagem ao México com direito a OUVIR TUDO! Ok, baixando a bola em 3, 2, 1…
Sempre botei um olho gordo daqueles no coala que os implantados pela Cochlear ganham. Infernizei até não poder mais o Alexandre Lopes, diretor da Politec (que traz a Cochlear pro Brasil) brincando que queria porque queria o meu coala. Resultado? Ele chegou de São Paulo e foi direto no meu hotel com o Rubem Jr (da Politec de POA) me entregar pessoalmente o bichinho!! O mais bacana é que nós ficamos longas horas conversando e rindo, e ele me tirou muitas dúvidas, inclusive. O cara é expert – e, assim como eu, hiperativo e controlador, então nosso santo bateu que foi uma beleza. Hoje peguei meu cachorro NO FLAGRA assassinando o coala e, não satisfeito, roubando um dos implantes dele e se escondendo embaixo da cama com ele pra detonar! Marginalzinho sem vergonha…
Um encontro especialíssimo: rever a Mara Knob e finalmente conhecer a Geraldine Oliveira! Acho que ficamos umas cinco horas conversando, foi ótimo. Nesse dia minha mãe também estava com uma blusa de onça e eu brinquei com as três: as três leoas de oncinha! 🙂
A mocinha dessa foto acima foi quem plantou na minha cabeça, lá em 2010, a idéia de fazer implante coclear. É a fonoaudióloga Michele Vargas Garcia, amiga que amo muito. Não reparem a minha cara na foto, eu tinha tomado um remédio pra dormir porque o zumbido estava me enlouquecendo. Minhas amadas Themis Kessler e Eliara Vieira Baggio também foram me visitar.
E teve gente que tentou ‘dar a Elza‘ no coala, né Taís Andrade? A Taís foi quem me maquiou para a capa do Caderno Donna da Zero Hora em março e, desde então, virou amiga de infância. Somos loucas por ela, que é a pessoa mais alto astral que existe. E uma coisa muito engraçada é que ela não tem ninguém com problema de audição na família e é a ouvinte que melhor articula os lábios que já conheci em toda a minha vida. Loucura, loucura!!
Por último, eu já tô com saudade dele! Meu amado Dr.Luiz Lavinsky, cujo zelo e preocupação comigo jamais vou esquecer. Se pudesse, colocaria numa caixinha dourada e trazia comigo pra casa. Sou apaixonada por ele e pela Dra. Michelle Lavinsky Wolff também. Fico sem palavras quando quero escrever sobre eles porque me emociono, choro, e travo na hora de escrever. Mas sei que ambos sabem o quanto tão importantes pra mim! Vocês não imaginam minha felicidade quando ele leu o cartão que escrevi pra ele, me fez um coraçãozinho com as mãos e disse que ia mandar emoldurar e colocar na parede. Pronto, já to aqui com os olhos cheios de lágrimas…
Que jornada, minha gente!
Dois acontecimentos que reforçaram a minha certeza de ter tomado a decisão certa. Primeiro, após a cirurgia, no quarto do hospital, havia umas quatro pessoas entre mãe, tia e primas – todas lá conversando, mil coisas acontecendo, e eu totalmente presa naquela prisão horrorosa do silêncio. O silêncio é uma prisão terrível, solitária, enlouquecedora. Segundo, um dia antes de voltarmos, minha mãe saiu do banho e caiu no chão molhado, se machucando muito. Eu já estava deitada e já tinha tirado o aparelho auditivo do ouvido esquerdo, ou seja, não estava ouvindo nada. Ela ficou uns 20 minutos tentando se levantar e gritando por mim, enquanto eu estava lá na prisão do silêncio de novo. Quando vi o que tinha acontecido meu coração quebrou por dentro. A surdez te deixa a um oceano de distância de alguém que está no cômodo ao lado gritando por socorro. Se eu já tinha certeza, depois desse acontecimento tive mais ainda.









