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Este post é um desabafo de um familiar ouvinte de uma pessoa que perdeu a audição, após procurar no Google sobre como lidar com o seu familiar.
‘Hoje, após um mal entendido horrível na comunicação aqui em casa, desesperadamente dei uma busca no Google: “como lidar com quem perdeu a audição“. Nunca achei nada que descrevesse ou que orientasse, ou ainda nenhum desabafo de quem convive com quem se tornou surdo.
Quando encontrei esse blog, eu li, li, li, chorei, me coloquei no lugar de vocês (como faço quase diariamente na minha casa), mas como era de se esperar, os relatos e comentários são de surdos, com todos os diferentes graus de surdez.
Fácil ou difícil?
Me identifiquei muito com as histórias e os problemas, mesmo sendo ouvinte. Conviver com quem não ouve não é fácil, mas com certeza não ouvir é muito mais difícil.
Eu posso imaginar o quanto é perturbador não escutar, mas nunca vou ter a real noção do que é viver ficando a cada dia mais mergulhado no silêncio. Sinto tristeza por não poder compartilhar uma música, pelo incômodo em lugares ruidosos, pelo cansaço e por toda a privação. Assisto a angústia de ver a parte prática da vida ficando cada dia mais desafiadora e tento com todas as minhas forças minimizar os problemas.
Aprendi a falar alto, a gesticular e articular mais, a auxiliar na comunicação com os outros e a ter paciência. Cansa! Mas a paciência e a compreensão se renovam a cada dia.
Pequenas epifanias
Porém, hoje tive uma epifania de que a minha paciência e compreensão não bastam se a pessoa que não ouve não tem paciência com ela mesma. Se ela não aprender a lidar com as frustrações trazidas pela deficiência, a comunicação, a convivência e o bem estar estarão definitivamente prejudicados.
Além do silêncio infernal e eventualmente um zumbido, o telefone será sempre um problema, o aparelho vai inevitavelmente te deixar na mão de vez em quando e você vai perder o fio da meada em muitas conversas. É altamente compreensível que tudo isso seja mais que suficiente para irritar, enlouquecer e derrubar uma pessoa para o fundo do poço.
Mas, ninguém está sozinho! É preciso olhar ao redor e perceber que há empenho de quem está ao seu lado e isso precisa ser reconhecido e agradecido. É um aprendizado para todos e ficar irritado, triste, isolado e sem esperança não é uma opção para a família ou para o grupo que você integra.
Saiba que o ouvinte que está ao seu lado está fazendo um esforço imenso por você, está aprendendo também a se comunicar e a interagir de outras formas, portanto seja paciente e gentil com ele também.
Acredito que há leitores ouvintes por aqui, então acho que seria legal saber quais tipos de problemas na comunicação mais desgastam a relação com quem enfrenta a surdez. Quem sabe uma tática, dica, macete, alguma solução prática para os obstáculos do dia a dia para compartilhar e ajudar quem convive, ama e quer facilitar a vida de quem encara a pesada condição de viver no silêncio.’