Queridos amigos leitores! Estou num estado de êxtase tão grande que quero dividir minha felicidade com vocês. Explico. A Siemens é parceira do Crônicas. Eu vinha tendo muitas dificuldades para me adaptar com os aparelhos que estava testando, os Pure 700. Por ironia do destino, uma super fonoaudióloga do time da Siemens( Michele Vargas Garcia) é gaúcha de Santa Maria, cidade na qual eu resido. Ela se prontificou a vir me atender, diretamente de São Paulo.
Passamos a última sexta-feira juntas. Logo que encontrei a Michele no consultório, me tranquilizei com o seu semblante super alegre. Me passou uma paz…Ela me pediu para ser 100% sincera, e fui. O mais extraordinário do nosso encontro foi que a Michele me explicou absolutamente TUDO sobre a minha surdez, coisa que nenhum médico jamais foi capaz de fazer. Para começar, ela falou que existem 5 graus (ou níveis) de surdez.
Estou no quarto e, como ela é progressiva, não sei quanto tempo demoro para chegar ao último. Isso é algo que me atormenta desde que recebi o meu diagóstico. Se não fosse progressiva, não me preocuparia, mas, sendo, já perdi inúmeras noites de sono pensando nesse assunto. Quando a Michele me explicou que posso ( e possivelmente deverei) fazer um implante coclear no futuro, desabei chorando.
Não sei o que me deu na hora, mas senti como se tivesse tirado 500kg das minhas costas. Tempos atrás perguntei isso a um médico, e a resposta foi “não, implante coclear é para crianças, e há 50% de chance de não funcionar“. Tomei isso como verdade e passei a imaginar que meu futuro, um dia, seria o silêncio absoluto. Para uma pessoa que nasceu ouvindo, ouvia bem, e foi perdendo audição com o passar dos anos, o silêncio absoluto é, no mínimo, apavorante.
Ficamos horas ajustando o som dos aparelhos auditivos. Isso, por sinal, é um pouco engraçado, pois é preciso explicar para a fonoaudióloga o que você está ouvindo. “Som abafado“. “Sinto como se estivesse numa palestra lá na última fila“. “Agora sinto como se estivesse na primeira fila e o microfone do palestrante estivesse com problema“. “O som está longe“. “Sua voz parece uma explosão“… Não sei como as fonos nos aguentam nessas horas, e quebro a cabeça escolhendo as palavras e as metáforas para tentar explicar porque diabos o som não me agrada.
Depois, fomos testar o telefone. Confesso que tenho um bloqueio psicológico horroroso com telefone. Não lembro a última vez que usei este bichinho para falar – uso só para mandar torpedos. A Michele foi para outra sala, me ligou, e atendi pelo Tek Connect. Não entendi tudo o que ela me disse, mas entendi bastante! Nossa, que sensação esquisita falar ao telefone depois de tanto tempo. Ela até me mostrou como o pessoal de São Paulo usa o Tek: como se fosse um celular. Achei hilário e adotei o truque!
Por fim, ela me deu uma tarefa: preciso começar a fazer treinamento auditivo. Como uso aparelhos durante o dia inteiro há apenas uns 3 anos, meu cérebro não entende muito do que escuto através da amplificação sonora. É o famoso ‘escuto, mas não entendo’.
Fiz novos moldes porque vou ficar com o Motion 700 em vez do Pure 700. Uso óculos e tenho a pele extremamente sensível. Por causa disso, não me adaptei como deveria com o Pure – o fiozinho de plástico e a parte que fica atrás da orelha me deixam cheia de urticárias. E usar óculos + aparelho auditivo ao mesmo tempo também não é muito agradável, ainda mais se os dois ficam disputando espaço nas suas orelhas. Como o Motion é intracanal – uso intracanal há alguns anos e não tenho problema de sensibilidade na pele com eles – decidimos que é com ele que vou ficar.
No sábado, saímos para tomar um café. Muito emocionada, contei pra Michele das várias horas que passei assistindo TV ouvindo o som diretamente nos aparelhos. Pela primeira vez, escutei a voz do sobrinho da Ugly Betty! Foi demaisss!! Mas confesso que a maior emoção messsssmo foi conectar o Tek (o controle remoto bluetooth de última geração da Siemens) com o meu Ipod e ouvir todas as minhas músicas favoritas direto nos Pure’s. E o melhor: o som perfeito!! Com meus outros aparelhos, sempre odiei ouvir música, porque o som parecia uma orquestra de robôs! Metálico, horrível. Não vou perder nenhuma dessas maravilhas com o Motion 700, porque ele conecta com o Tek da mesma maneira.
Ah, e a Michele me contou um super truque para não precisar comprar um telefone convencional com bluetooth (pesquisei em todas as lojas virtuais brasileiras e não achei nenhum, e nos EUA custa em média $200): basta pegar meu Tek Transmiter (que conecta a TV com o aparelho auditivo) e conectar com um telefone com saída de áudio.
Estou muito, muito feliz! Nem tenho palavras para descrever todas as emoções novas e antigas que vivi e revivi neste final de semana.